1281 alunos do concelho de Paredes correm o risco de abandonar a escola antes de completar a escolaridade obrigatória, ou seja o 9º ano. Este número representa 57 por cento da comunidade escolar paredense e está muito acima dos 3,5 por cento de casos sinalizados pelas instituições que se dedicam a esta temática.
Só 3,5 % dos alunos estão sinalizados
Dos 2300 alunos que frequentam o 7º e o 8º anos de escolaridade dos nove estabelecimentos de ensino de Paredes mais de metade está em perigo de abandonar a escola antes de completar o 9º ano.
Este número resulta do trabalho efectuado pelos técnicos da APPIS que, desde 1 de Outubro do ano passado, realizaram inquéritos à grande maioria dos elementos da comunidade escolar paredense.
Depois de recolherem informação junto das escolas, dos directores de turma e de terem realizado entrevistas de 15 minutos aos próprios alunos, os mediados da APPIS concluíram que é a própria motivação (ou a falta dela) dos jovens a principal razão para um possível abandono escolar.
Factores como a família, a própria escola e o território, especialmente a distância entre a casa e o estabelecimento de ensino, contribuem, igualmente, para a obtenção de uma percentagem tão elevada.
As conclusões do screening, nome dado pelos mediadores à primeira fase do Projecto EPIS, estão muito distantes dos números até agora conhecidos. Basta ver que as instituições vocacionadas para o combate ao insucesso e abandono escolar de Paredes tinham sinalizado somente 3,5 por cento dos alunos, número que disparou para os já referidos 57 por cento.
Escolas do Norte com resultados mais preocupantes
Apesar de todas as escolas apresentarem elevadas percentagens no que concerne à taxa de reprovação, o cenário é distinto em cada uma delas, com os piores resultados a concentrarem-se na zona Norte do concelho.
Os estabelecimentos de ensino de Rebordosa, Vilela e Lordelo, com taxas entre os 27 e os 35 por cento, são os casos mais problemáticos. No lado oposto, está a Escola da Sobreira e a EB 2,3 de Paredes.

Já relativamente aos alunos em risco, o panorama é diferente, registando-se diferenciais curtos entre as escolas do Norte e as do Sul.
Depois de concluída esta primeira fase, o Projecto EPIS continua com mais recolha de informação através de um trabalho de proximidade dos mediadores junto dos alunos que foram detectados como estando em risco de insucesso e abandono.
A terceira e última fase deste programa passa por uma abordagem individualizada a cada aluno, e respectiva família, de forma a minimizar os factores de risco de insucesso e abandono escolares e, simultaneamente, induzir factores de sucesso.
Recorde-se que a taxa de analfabetismo de Paredes situa-se nos 7,6 por cento, 32,9 por cento dos habitantes do concelho (com idade superior a dez anos) possuem apenas o 1.º ciclo completo.
Apenas 16,3 por cento da população (com mais de 12 anos) completou o 2.º e 3.º ciclo e que somente 5,2 por cento da população (com idade superior a 18 anos) possui o ensino secundário completo e a taxa de população com qualificações superiores é de 3,4 por cento (população com idade superior a 23 anos).
140 mil dos 170 mil euros do orçamento são para ordenados
A APPIS tem seis funcionários ao seu serviço, todos com uma formação à base da psicologia ou serviço social.
Foram estes técnicos, denominados mediadores, que realizaram o screening, o questionário que permitiu concluir que 57 por cento dos alunos de Paredes estão em risco de insucesso/abandono escolar.
Serão eles que, brevemente, vão recolher ainda mais informação sobre a realidade escolar concelhia através de um trabalho de proximidade junto dos alunos (zooming) para, seguidamente, efectuarem uma abordagem individual a cada aluno e respectiva família.
É também para estes seis técnicos que vai cerca de 80 por cento do orçamento da associação. Dos 170 mil euros anuais de receitas da APPIS, cerca de 140 mil são destinados a pagar os ordenados e encargos com a Segurança Social e IRS dos funcionários.
O restante dinheiro será canalizado para o pagamento de comunicações, organização de eventos, material de escritório e aluguer de equipamentos.
As verbas chegam à APPIS especialmente através do protocolo assinado com os Empresários para a Inclusão Social, mas também da Câmara Municipal e das empresas associadas.
A primeira instituição assegura, durante os próximos três anos, 127.500 euros anuais e a Câmara Municipal atribui um subsídio de 2500 euros por cada ano em que o projecto estiver em vigor.
Professores com boa reputação
Maioria dos alunos diz que há violência na escola
56 por cento dos alunos que frequentam os 7º e 8º anos de escolaridade no concelho de Paredes considera que existe violência na escola, enquanto 46 por cento acha que o seu estabelecimento de ensino é degradado.
O inquérito feito aos discentes pelos mediadores do Programa EPIS revela também que 18 por cento dos jovens não tem dúvidas em denunciar o abuso de substâncias, nomeadamente droga e álcool, no recinto escolar.
Este mesmo trabalho realça a importância dos professores junto dos alunos, especialmente no que diz respeito à sua disponibilidade no auxílio à resolução de problemas, na maior parte das vezes, de foro pessoal.
97 por cento dos inquiridos afirma que os professores interessam-se pelo seu percurso escolar e 90 por cento diz mesmo que os professores estão disponíveis para abordar outros assuntos para além dos relacionados com a matéria.
Empresários desafiados a formar funcionários
Paredes poderá vir a acolher um projecto-piloto na área da formação de adultos.
Foi o próprio presidente da Câmara Municipal de Paredes que revelou que desafiou o secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional, Fernando Medina, a apoiar mais uma iniciativa da autarquia no âmbito da educação.
"Reunimos com o secretário de Estado e lançamos-lhe um desafio. Queremos que o Governo apoie um projecto específico de formação para os funcionários das empresas associadas da APPIS", anunciou Celso Ferreira.

Em seguida, o autarca lançou um repto aos empresários presentes na sala para que facilitassem e incentivassem os seus colaboradores a frequentar o programa Novas Oportunidades.
Esta proposta mereceu o aplauso do presidente da APPIS, António Viriato, que deu como exemplo a filosofia que já impera na sua empresa.
Na Móveis Viriato, 50 funcionários estão, actualmente, inscritos no programa Novas Oportunidades, de forma a obterem a certificação dos seus conhecimentos e a equivalência ao 9º ano de escolaridade.
A formação no âmbito do Novas Oportunidades pode ser adquirida em dois centros localizados em Lordelo e em Castelões de Cepeda.
Um outro centro abrirá, brevemente, nas instalações da CESPU, em Gandra.
Em 2007, os dois centros Novas Oportunidades em funcionamento receberam a inscrição de 6066 formandos, tendo concluído a certificação 613.
Para além da promoção do Programa Novas Oportunidades, a APPIS irá, durante este ano, levar a cabo, em parceria com a Associação Aprender a Empreender, a iniciativa Economia para o Sucesso.
Trata-se de uma acção durante a qual um empresário dará, a alunos do 8º ano, o seu testemunho de vida, assente no seu percurso profissional.
O programa Economia para o Sucesso tem a duração de seis sessões de 90 minutos.