A iniciativa, que decorreu nas instalações de "A Celer", em Rebordosa, contou com a presença do presidente da Câmara Municipal, Celso Ferreira, do responsável pela APPIS e EPIS, o director-adjunto da DREN e dos convidados David Justino, professor na Universidade Nova de Lisboa e assessor do Presidente da República, José Manuel Canavarro, pró-reitor da Universidade de Coimbra e presidente do Conselho Científico da EPIS, bem como, vereadores, outros autarcas, professores, alunos, mediadores, tendo sido moderada pela jornalista Fátima Campos Ferreira.
De acordo com o autarca, Celso Ferreira, a ideia do debate "Paredes aposta nos 12 anos de escolaridade" está alicerçada na preocupação de uma permanente reflexão acerca da problemática. O autarca sublinhou que o diagnóstico do concelho no que respeita ao insucesso e abandono escolares era bastante pessimista e que este cenário tinha que mudar. Recorde-se que o Executivo a que preside defende que "o futuro não se prevê, prepara-se", por isso desabafou que "tenho uma fé imensa neste projecto".
Celso Ferreira adiantou que vão ser abertos, já no próximo mês, os concursos para sete novos estabelecimentos de ensino.
O responsável pela EPIS, João Rendeiro, mostrou-se muito satisfeito com a resposta da sociedade civil de Paredes ao desafio do combate ao abandono e insucesso escolares. Deseja que a "inclusão social em Paredes seja melhorada de forma significativa".
David Justino levou ao debate a visão de quem faz investigação e de quem já elaborou políticas educativas. Defende que é fundamental adoptar os 12 anos de escolaridade obrigatória e que o Estado tem papel fundamental em criar as condições para que tal seja uma realidade.
Refere que as causas do abandono escolar têm que ver com a decisão do próprio indivíduo, tendo forte influência o contexto familiar, social e cultural. "Uma boa ou má escola é importante para o futuro dos jovens e também para a atitude que querem ter na vida".
David Justino considera que o mercado de trabalho tem uma importância relevante no que respeita ao abandono escolar. Sublinha que "tem que se pedir ao mercado de trabalho para não favorecer o emprego precoce".
Avançou que o concelho de Paredes foi o que mais cresceu em termos de desenvolvimento económico e que é necessário que a qualificação de mão-de-obra não seja um travão.
Para José Manuel Canavarro qualquer abordagem que se faça às questões educacionais "é sempre incompleta". A escola "é uma coisa preciosa e deve ser sempre uma rotina dialogada e praticada".
Para aquele responsável "Paredes é um exemplo de capacitação familiar". Considera que é possível fazer política de capacitação, com apoio das autarquias, instituições e famílias.
Segundo Diogo Simões Pereira, director-geral da EPIS, o objectivo da associação que assenta na família, escola e alunos é o sucesso escolar. "O objectivo é promover o sucesso escolar, com aposta na proximidade". Realçou que o trabalho dos mediadores passa por duas fases: a selecção dos jovens e o respectivo acompanhamento. De referir que em Paredes a primeira fase está concluída. Avançou que em 2009 vão ser medidos os resultados quantitativos, com base nos indicadores do Ministério da educação. "Queremos que a posição de Paredes melhore no próximo ano lectivo". Concluiu que no concelho a retenção média no 3.º ciclo é de 24,9% e que se pretende, dentro de dois anos, que este valor seja reduzido para metade.
Refira-se que o debate em defesa dos 12 anos de escolaridade revelou-se um sucesso. O auditório de "A Celer" encheu na sua totalidade. A população paredense envolveu-se na defesa dos 12 anos de escolaridade. Não faltaram, de resto, elogios ao trabalho desenvolvido pelo Executivo liderado por Celso Ferreira, na aposta nos 12 anos de escolaridade, quer das associações de pais presentes, quer de outros intervenientes que reconhecem que de facto "Paredes está no bom caminho".
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