Ocupando uma posição de charneira na administração e hierarquia do castro, competia-lhe a ele prover pela segurança dos habitantes que viviam no interior do castro.
As escavações feitas até ao momento e os achados que foram encontradas nos muitos castros (Citânia de Sanfins e Briteiros, por exemplo) que cobrem toda a bacia do Entre-o-Douro e Minho comprovam-no e atestam a sua importância na oligarquia das comunidades castrejas.
Era ao Guerreiro que competia zelar também pelas as portas do povoamento. As estátuas na Citânia de Sanfins mostram esta figura à entrada do castro numa posição parada, assentes sobre uma peanha, descalços ou calçando polainas ou grevas, o que prova o título de chefe militar.
Por ter a missão de defesa das comunidades, esta personagem ? que viveu entre o primeiro milénio a.C e o século I d.C. ? fazia-se acompanhar do respectivo material bélico, nomeadamente um conjunto de armas, das quais se destacavam um pequeno escudo redondo e côncavo seguro por correias na mão esquerda e, do lado direito, um punhal embainhado.
Para mostrar, igualmente, a sua posição social e militar, o Guerreiro ostentava como insígnias um colar no pescoço e braceletes nos braços. Os guerreiros de Sanfins tinham ainda a particularidade de usarem um capacete. O seu vestuário seria de linho, apresentando motivos geométricos de padrões decorativos típicos de SS encadeados, ziguezagues e quadriláteros.
Hoje, pode ainda observar-se alguns exemplares das estátuas destes verdadeiros líderes, pois as escavações na Citânia de Sanfins conseguiram recuperar parte do guerreiro, nomeadamente a cabeça, o tronco e as pernas, que se encontra exposto no Museu Arqueológico da Citânia, espaço que alberga todo o espólio das escavações.
Algumas estátuas encontradas sugerem expressões de chefes sentados nos tronos em actos cerimoniais ou nas reuniões do conselho comunitário, que teriam lugar em espaços amplos, o que, mais uma vez, prova a função soberana, militar e política que exerciam.
O "Guerreiro Lusitano" marcou também o aparecimento de um novo reportório de expressões simbólicas de predominância masculina, com influência em toda a proto-história europeia, na organização da cultura castreja.